Sobre a coragem de tentar

Há alguns dias tenho me sentido stuck. Tentei encontrar uma palavra em português para explicar mais claramente este sentimento, mas estagnada não parecia apropriado, tampouco “parada” seria o adjetivo mais descritivo. Não há ‘nada’ que me prenda ou que me impeça de seguir em frente (aparentemente). Mas, por outro lado, é como se houvesse. Uma coisa que me agarra e dificulta um pouco os movimentos…  Como quando fechamos a porta do carro e a ponta da camisa fica ali presa entre o carro e a porta, sabe?

Eu poderia enumerar as razões para esse sentimento. Eu poderia listar as ações necessárias para a mudança ou transformação deste sentimento. Em outros tempos, essa angústia do “stuck” seria muito produtiva e eu estaria curtindo – mesmo! – uma super bad. Numa boa melancolia, sem desespero, apenas deixando vir todo esse sentimento que afoga aos pouquinhos. Acontece que: ser adulta é um pouco mais complicado do que isso e ainda não atingi os nirvanas do desapego para entender que this too shall pass (isso também passará).

Todos os dias – ou quase todos – durmo pensando nas mil possibilidades da vida, e, ao mesmo tempo, nas limitações de tempo e espaço (ignorando a necessidade de ter dinheiro, que se aplica em quase todas as situações). A cabeça fervilha um tanto e acabo por ter sonhos esquisitos, misturando a escola da infância com época em que trabalhei na França, terminando o sonho com o pesadelo recorrente de uma reprovação em Matemática, mesmo já sendo graduada há cinco anos. O coração palpita o dia todo… às vezes, inclusive, sinto que ele pára um pouco, como se estivesse cansado demais de tentar acompanhar o ritmo dos meus pensamentos.

Admito que a ansiedade que me afoga é a mesma que me impede de experimentar novas sensações e arriscar-me em alguns caminhos desconhecidos. Tenho vontade de pular de parapente, mas fico esperando alguém para  ir comigo e dar um empurrãozinho. Tenho vontade de trabalhar com/na internet, mas procuro por mil desculpas em minhas inseguranças. Quero muito morar fora – do estado e do país – mas prefiro babar em blogs alheios que ter a coragem de aplicar para uma vaga. É difícil de aceitar, porém fácil constatar que experiencio nessas situações, a dor e a delícia em se tomar decisões e ser responsável por elas. O que quero dizer aqui hoje é: preciso construir um espaço de fôlego, em meio a esse mar de ansiedade que me cerca. Eu sei que ele hoje – e nem tão cedo – vai se acalmar, que a maré tá cheia, que não tá pra peixe e que mar não tem cabelo. Mas poxa, logo eu, que mergulho desde criança…

Imagem da capa: Gratisography.

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